Encontro com os outros

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Por José Cláudio da Silva*

Neste tema vamos refletir um trecho da parábola do Pai Misericordioso.

“Ele respondeu: É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque recuperou seu filho são e salvo. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistiu com ele. Ele, porem, respondeu ao pai: Eu trabalho para ti há tantos anos, já mais desobedeci a qualquer ordem tua. E nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Mas quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com as prostitutas, matas para ele o novilho gordo. Então o pai lhe disse: Filho, tu estas sempre comigo, e tudo que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado.” (Lc 15, 27-32).

Deus na sua infinita misericórdia e sabedoria nos fez para vivermos uns com os outros. Ninguém consegue viver sozinho, numa ilha. Sentimos falta do outro e principalmente de Deus. É o que o jovem mais novo estava sentindo: Falta do amor do pai, mas também do irmão mais velho. Por isso resolve voltar para os braços do pai.

O irmão mais velho parece que não está disposto a acolhê-lo. Acolher é receber, aceitar sem fazer julgamento. Às vezes falamos uma verdade para uma pessoa, em tom de brincadeira, que machuca mais ainda. Quantos de nós pecamos quando alguém nos dirige uma palavra, antes que a pessoa termine de falar, já temos uma resposta pronta a dar ou já temos uma história mais importante para contar. E não ouvimos o outro. Temos dificuldade para ouvir. Acolher é ouvir com paciência.

O irmão mais vivido entrou em conflito com ele mesmo, no momento em que recebeu a notícia da volta do irmão e da festa que o pai estava preparando para o irmão arrependido. Quantos têm problema de relacionamento em casa ou no grupo que participa porque não admite alguém melhor do que ele? Assim que chega um que ele pensa ser melhor, logo faz um julgamento elegendo a pior pessoa do mundo.

Deus nos trata com igualdade. O filho que não tinha desviado do caminho sentia no direito de ter mais vantagem do que o outro que vivia em outros caminhos. Muitos não querem servir a um Deus misericordioso. Aí fabricam um Deus que cabe dentro dos seus caprichos, que atendem os seus desejos. Um Deus que castiga mesmo quem já se arrependeu.

A nossa missão é colaborar para que o outro cresça. Não nascemos prontos, vamos progredindo na medida em que buscamos ser formados no conhecimento da Palavra de Deus.

O Senhor quer curar os nossos relacionamentos, mas toda restauração precisa de certo tempo. É Jesus quem cura. Em muitos casos o Senhor já nos curou, mas ainda ficamos com o hábito antigo que só depende de nós mesmos. Exemplo disso é quando o Senhor curou uma pessoa pelo perdão, mas esta recusa a falar com a pessoa que o tinha ofendido.

Esperamos no Senhor porque “a Deus nenhuma coisa é impossível.” ( Lc 3,37 ).

*José Cláudio da Silva

Membro do núcleo do Grupo de Oração Nossa Senhora das Graças

Membro do núcleo estadual do Ministério de Formação da RCC Minas

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